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Tanja P., Cindy C. e Hans H.

As indefesas donzelas do eixo germano-austríaco passaram décadas sendo aterrorizadas pelo ‘Hahn im Korb’ de Viena. Os ataques do Cupido teutônico eram sistemáticos, fulminantes e muito, muito, muito comuns. Apesar de portar o nome de um falcão, Falco era um galinhão. Suas proezas amorosas dão um bom caldo (de galinha?) pra posts, vide o tórrido affair com Briggite Nielsen, que em breve será abordado aqui. Por hora, eis outro caso clássico do moço.

Em 1990, Falco voltou a se reunir com Robert Ponger, o produtor de seus dois primeiros discos, e lançou seu álbum mais estranho (a começar pelo título), ‘Data de Groove’.  Em meio a canções putz-putz dignas de uma festa organizada por David Lynch (?) e curiosas justaposições entre as palavras ‘Anaconda’ e ‘amour‘, há uma bela ‘homenagem’ à Cindy Crawford e Tatjana Patitz, duas das poucas supermodelos mundiais. Trata-se de “Tanja P. nicht Cindy C.”. Vê-se que, realmente, Data de Groove é uma produção bastante eclética. Era tão avant garde lá nos idos novetentistas que nem os austríacos, defensores eternos e ferrenhos do Falcão, entenderam o espírito da coisa. ‘Data’  foi der größte Flop de todos os tempos do Herr Hölzel, ocupando o cume da herética 11ª colocação nas paradas da Áustria (Mein Gott!) e não aparecendo na lista dos mais vendidos nem na Alemanha. Por motivos extremamente obscuros, foi também tanto o comeback quanto o goodbye da parceria Falco-Ponger. E, assim como todo álbum rui…’alternativo’, hoje é considerado ‘cult’. Um Prost! ao eufemismo!

Prost!

A letra da canção está na página ‘Liedtext’ do Seite (gehe!). O importante aqui são as duas beldades mencionadas na música. Cindy o mundo inteiro e mais um pouco conhece e já viu até pelo avesso. Tanja, ou facilitadamente ‘Tatiana’, Patitz foi mais famosa durante as décadas de 80 e 90, mas continua uma deusa germânica até hoje (sim, ela é alemã), equiparando-se com sua colega de profissão e pátria Claudia Schiffer tanto em donaire quanto em fama. Apesar da Liedtext ser tão nußig quanto o álbum em si, fica clara a tentativa nada sutil de zubeißen mais uma vítima para o rol das garotas falcolinas por parte do cantor, o qual dá, musicalmente, um chega pra lá na Cindy C. (du liebe Güte!), louvando, em contrapartida, a Tanja P. Se Falco conseguiu botar as mãos nos “Patitz” da Tanja é um dos grandes mistérios da vida do cantor. A tentativa pública, porém, é uma aula de Herr Juanismo moderno para todos nós.

Falando das modelos, ei-las logo abaixo, em seu heyday e atualmente, em um ensaio sem maquiagem que a revista ‘Harper´s Bazaar’ publicou ano passado. Atente para a Speichel no teclado.

Hallotag:

Cindy C. und Tanja P.

Aber heute…:

As duas heute

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Quem foi Falco, em uma Nußschale

A Áustria é a terra do Danúbio Azul, dos grandes palácios e Kirchen localizadas bem no centro das cidades, do conhecidíssimo SK Rapid Wien, do clã Habsburgo, de pessoas estranhas que nasceram para perturbar as mentes das outras (como Erwin Schrödinger, Kurt Gödel , Ludwig Wittgenstein , Freud), é onde Kafka veio ao mundo e é onde todos eles comeram muito Wiener Schnitzel, Sachertorte, Apfelstrudel e, certamente, deliciaram-se fartamente  com as bolas do Mozart.  Wolfgang Amadeus foi eternizado em maravilhosas bolotas de marzipã e pistache, recobertas por um delicioso chocolate, não à toa: assim como a alta arte culinária, os austríacos também se orgulhavam, até há pouco tempo, de compartilharem a cidadania com um dos maiores músicos de todos os tempos – Mozart, claro. Desde a década de 1980, porém, a jactância austríaca ganhou mais um ingrediente: além do rio azul que não é azul, das grandiloqüentes construções barrocas, da família Habsburgo, das pessoas anômalas e da alta culinária, o povo pode bater no peito por compartilhar a cidadania com dois dos maiores músicos de todos os tempos. Estou falando, é claro, de Mozart e de seu sucessor em fama, Johann ‘Falco’ Hölzel!

Quem já assistiu a Amadeus sabe que Mozart foi um ser deveras amalucado e problemático, iconoclasta nato, inovador, genial.  Pois quem diria que as rodas da Fortuna iriam se alinhar dois séculos depois de Wolfgang e gerar um outro músico precoce com as mesmas características? Ah, as semelhanças entre a vida e a carreira de Mozart e Falco são tantas que dão texto para uma Sammlung de posts. Ó leitor cético, duvidas e achas exagero comparar um astro pop com um mega-astro pop-clássico? Pois bem, eis um Zwicken para ti: qual seria a probabilidade de um austríaco branquelo cantar rap em uma época em que quase ninguém cantava rap, ainda por cima em alemão, e fazer tanto sucesso que chegasse ao topo da Billboard? E depois vêm dizer que compor um réquiem sob intensa pressão psicológica e financeira é que é difícil!

Brincadeiras à parte, fato é que, depois de Amadeus, Falco é a cria austríaca de maior sucesso no mundo da música, e o país se orgulha muito destas duas lendas. Apesar de não ser muito conhecido no Brasil, a importância conferida e reverência que a Europa e sua terra natal prestam a Falco são imensas, e serão reveladas pormenorizadamente aqui em Falcos Zeit. Sente-se à vontade e curta a história deste ícone do pop – garanto que é tão saborosa quanto as bolas do Wolfgang!

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